sexta-feira, 8 de julho de 2011

A mostra de Paulo Santo, na Pinacoteca da Ufal, aborda a batalha 
de uma mãe nordestina contra a possível homossexualidade do filho




A arte desconcertante de Paulo Santo

Exposição pode ser vista até hoje na Pinacoteca Universitária 
da Universidade Federal de Alagoas



Alessandra Vieira
texto e foto


A rotina de Paulo Santo foge do convencional assim como sua arte. Diariamente, o artista perambula pela cidade e recolhe materiais que podem ser moldes dentários ou uma velha porta de entulho. Depois, graças ao seu olhar e através das suas mãos, o amontoado de objetos - pedaços de paredes, latas amassadas, arame farpado - que para a maioria das pessoas não passa de lixo, torna-se elementos artísticos.
Até a próxima sexta-feira, parte dessa transição pode ser conferida na mostra “Campo Imaginário” I - Nudez, um dia das mães. A exposição foi aberta em junho e se espalha pelos três salões da Pinacoteca Universitária. Com curadoria do próprio artista, a mostra aborda a saga de uma mãe nordestina que trava uma batalha religiosa contra a possível homossexualidade do filho.
“É importante que cada um tenha a sua própria visão. Mas, o que quero discutir aqui são conceitos de homossexualidade e bissexualidade dentro das questões que envolvem a religião católica, passando pelo protestantismo e ingressando na religião afro-descendente”, explica Paulo Santo.
A verdade é que “Campo Imaginário” I - Nudez, um dia das mães é diferente do que se espera ver em galerias. A cada ilha/entulho/instalação Paulo faz referencias a relações sociais, ao preconceito, à sexualidade, à marginalização, à homofobia, à divindade e às próprias emoções como artista. Com uso do descartável, Paulo também faz uma pergunta à sociedade contemporânea: tudo é lixo?. “A mostra dá um soco no estômago dos visitantes. Faz a gente refletir sobre o que fazer com o material descartável que essa sociedade de consumo capitalista produz. Nem tudo precisa ser descartado apesar de parecer fácil se desfazer do que não tem mais utilidade”, analisa o desenhista Levy Paz. “Paulo Santo foge do tradicional que se resume a exposições de telas, pinturas e desenhos. Paulo sai do contexto artístico que estamos habituados a ver aqui na cidade”, diz o artista plástico Rosivaldo Reis.
Todo artista se sente nu em uma exposição individual e não é diferente com Paulo Santo. Em Campo imaginário - Nudez, um dia das mães o artista se mostra por inteiro.

VÁ LÁ
A exposição "Campo Imaginário" I - Nudez, um dia das mães pode ser conferida até esta sexta-feira, na Pinacoteca Universitária (Praça Visconde de Sinimbu, 206, Centro). Horários: 2ª, 4ª e 6ª, das 8h30 às 12h30 e das 14h às 18h; 3ª e 5ª, das 8h30 às 12h30 e das 14h às 20h.

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