terça-feira, 9 de agosto de 2011

Alagoano participa da Feira Literária de Tocantins



Festa da diversidade

Feira Literária Internacional do Tocantins, que aconteceu de 25 de julho a 3 de agosto, levou 400 mil pessoas a Palmas. Homenageando o Ano Internacional dos Povos Afro-Descendentes, o evento teve programação diversificada e a participação de grandes nomes da literatura, da música e das artes. Um alagoano foi um dos palestrantes e contou como foi participar de um dos maiores eventos literários do Brasil. Confira! 

Alessandra Vieira (*)

Corredores repletos de povos distintos – índios, quilombolas, negros, ocidentais, orientais – ao som de chica-buns e Ijexás deram o tom e o ritmo da Flit, a Feira Literária Internacional do Tocantins, que aconteceu de 25 de julho a 3 de agosto, e reuniu professores, alunos, escritores, poetas, pensadores, autores e visitantes de todo o País para uma grande festa com vasta programação cultural direcionada a todos os tipos de públicos.
Tendo como tema central a Diversidade – já que 2011 é o Ano Internacional dos Povos Afro-Descendentes, o Ano Internacional das Florestas e o Ano Internacional da Química –, a Flit proporcionou uma volta ao mundo da literatura em 10 dias com atividades concentradas na Praça dos Girassóis, onde se localizam as sedes dos poderes legislativo, judiciário e executivo do Tocantins.
Nos vários espaços – entre eles o 7º Salão do Livro, o Café Literário, o Circuito Gastronômico, a Concha Acústica, o Espaço Sebo, as estações Cinema, Circo, Cordel, Folguedos, Multicultural, a Formação Continuada: Oficinas e Palestras, a Lona da Ciência e os Palcos itinerantes – cerca de 280 eventos aconteceram simultaneamente em diversos pontos da praça, como palestras, show, oficinas, debates, filmes, lançamentos de livros, exposições e apresentações artísticas.
Segundo o secretário de Educação Danilo de Melo, a abertura deste tipo de espaços de diálogo no País é que proporciona o conhecimento e, consequentemente, a tolerância, tornando os brasileiros mais ricos como homens e livres de preconceitos, “tudo a favor da diversidade”. “É improvável realizar e participar de um evento literário-cultural deste porte, com esta riqueza de saberes, e não ficar emocionado; e este contexto emocional todo causado por este caldeirão cultural foi pensado para os educadores de todo o Brasil. O principal eixo da Flit é o educador, a formação e o aprimoramento de cada um que ocupa esta função. Por meio da Educação e do conhecimento que ela nos traz é que nós podemos vencer preconceitos, gerar inclusão e agregação. Todos os auditórios estiveram sempre lotados durante as oficinas, palestras e seminário. Isto é sinal de que os que trabalham com a educação têm correspondido, mostrando interesse em crescerem”, disse o secretário.

UM ALAGOANO NA FLIT – Eles foram o grande motor da Flit em 2011: os espetáculos. Enquanto os de teatro e música deram o tom da cultura e de arte, as palestras foram marcadas por levar conhecimento ao evento.
Dentre os palestrantes participantes como Amyr Klik, Rui Castro e Guilherme Fiuza, o alagoano Hélio Laranjeira marcou presença na Feira Literária Internacional do Tocantins com o tema “Educação à distância – uma visão de futuro”. Consultor em EaD e mestrando em Administração Estratégica com foco em EaD, Laranjeira , que sempre é convidado para participar da feira, apresentou sua palestra no palco da Assembleia Legislativa de Palmas, no dia do encerramento do evento.
“É sempre uma satisfação participar da Flit. É um evento de alto nível, um dos maiores do País. Particularmente nesta edição, tive a possibilidade de defender uma nova teoria em relação à educação. Estamos em um momento de uma paralisia paradigmática, precisamos repensar o processo de pensar. A educação não pode mais ser vista como modalidade de ensino simplesmente. Ou "presencial ou EaD". Com o avanço dos ambientes virtuais surgiu a efetivação da interatividade e da sincronicidade. Com isso, a educação à distância perdeu o sentido da inexistência da presencialidade e aparece com toda ênfase o ensino Multidirecional. Foi isso que defendi em minha conversa com o público. A palestra foi um sucesso, tanto que já penso em transformá-la em um livro”, comemorou Hélio Laranjeira.

ATRAÇÕES ARTÍSTICAS - Na Concha Acústica, grandes shows foram apresentados durante todas as noites por Seu Jorge, Nando Reis, Martinália, Régis Danese, Marina Lima, Balé Bolshoi, Chico César, Lenine e Orquestra Sinfônica de Brasília. Os regionais Maria Eugênia, Juraíldes, Braguinha e Taís Guerido também subiram ao palco.
Além dos escritores internacionais Leonora Miano, da França, Carmem Ollé e Miguel Souza Tavares, de Portugal, participaram cordelistas e repentistas como Manoel Monteiro, Mestre Azulão, Miguel Bezerra, Geraldo Amâncio e Moacir Laurentino. Entre as peças teatrais, destacou-se a “Viver em Tempos Mortos”, da atriz Fernanda Montenegro, que também fez uma palestra durante a feira.
Ainda durante a feira, o visitante conferiu as exposições Amazônia, Compadre de Ogum, Rio de Machado e Visões de Emília. Uma carreta levou ainda o projeto Lona da Ciência com experimentos interativos, jogos lúdicos e planetário inflável. A Unesco fez a exposição de um projeto de pesquisa sobre o Continente Africano que culminou com a coletânea “História Geral da África”, também apresentada na Flit.

ARTISTAS LOCAIS - Mais da metade dos recursos culturais da Flit foram destinados a artistas regionais. Cerca de 1,2 milhão de reais ficaram no Tocantins para o pagamento de cachês dos artistas que movimentaram durante todo o ano a cultura do Estado. Na edição anterior, este valor não superou a casa dos 200 mil reais.
“Optamos por deixar de fora da programação os grandes cachês e investir mais em personalidades que fomentem as discussões acerca da literatura, cultura, e arte. Também neste sentido, observados que não havia razão para que a maior parte dos recursos investidos fosse destinado aos artistas de fora”, comentou o secretário Danilo de Melo.

CHEQUE-LIVRO – Uma iniciativa interessante, que devia ser trazida para os eventos literários por aqui, é o cheque-livro. Durante a Flit, o governo disponibilizou aos servidores estaduais os valores de R$ 180 para os professores e de R$ 50 para funcionários que atuam nos setores administrativos. Esses vales são trocados pelos livros que o portador tiver interesse e que corresponda ao valor do cheque. Certamente, uma ótima forma de incentivar a leitura.

(*) Com informações da assessoria da Flit.

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